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O amor dói, Sim.

Como uma pedra que se amarra ao peito o amor dói. Não escolhemos o peso da pedra, o seu formato, se é diamante pontudo os pedra lascada e polida pelos anos. Não faz diferença. Por ser dor de amor dói igual.

Talvez quisesse me ouvir falar de amor. Engraçado que apesar do galanteador que era  sempre se apresentou muito reservado. Não poderia falar de paixão com ele. O que temos é muito mais complexo que isso. Isso que estou sentido é visceral e não é passível de corrupção.É teatral e é orgânico demais. É ideal demais para ser real.

Poético sim. É poético. Mãs não é Fortuito. Por mais que várias vezes pareça que acabou não tem prazo de validade, tornou-se atemporal. Passou da fase de ser um estado para acabar se tornando uma condição. É variável sim posto que é impossível se viver assim, sentindo-o a todo momento.

Surpreendentemente há uma mudança. As frases que antes eram aleatórias, que soltavam no ar suspiros, tornou-se discurso. Perguntou-me se fico imaginando o dia da consumação. Sim, claro que fico. Mas não com a ânsia de que o dia chegue por que já me basta o prazer do imaginar.

Como imagino? Imagino que se me pergunta o que sinto por você eu fico calada, desconfortável com a súbita indagação, sem saber o que dizer. Passa pela minha cabeça milhões de possíveis respostas, completamente diferentes, opostas e todas corretas. Colho a tua mão e levo ao centro do meu peito e deixo que sinta, sem desconforto sensual (porque esses momentos são enlaçados por um medo infantil que beira a pureza), o saltitar do meu coração. E digo: “É isso que sinto por você. Não me peça mais explicações. Explicações dou a quem me é de direito.”

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Bebês abortados são felizes

Não acredito naquela história de que bebês abortados vão para o limbo. Bebes abortados são almas que chegam a terra puras e do mesmo modo, indo para um local especial no paraíso. O “Paraíso do Paraíso”, como gosto de chamar, é uma ala especial do céu cheio de bebês que foram perdidos ou abortados, felizes que não precisaram corromper a terra odiando seus pais, sendo maltratados por eles. Eles ficam flutuando em bolhas feitas de um doce liquido branco cujo o sabor a terra desconhece.

Os bebês perdidos são aqueles destinados a felicidade, que foram na terra como pequenos anjos para dar lições às pessoas. Os abortados são aqueles que ganharam numa espécie de loteria comandada pelo livre arbítrio dos seres humanos.

Tem dias que amanheço e penso: o que fiz pra não merecer ser um bebê perdido ou abortado?

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Beauty Lies in the eye

Alba me perguntou o qual era o meu padrão de beleza. Eu não sabia o que responder. Para uma pessoa inconstante e vunerável como eu padrões não eram fáceis de se estabelecer. Não estou aqui tentando bancar a “sem preconceitos” mas é que sou adepta a fenomenologia quando o assunto é beleza. Achava Alba definitivamente bonita mas também isso estava condiconado a ela parecer com Natália, uma menina definitivamente encontadora apesar de pouco inteligente. Natalia era mais bonita porque apesar de burra não tinha essa preocupação tola de Alba com a aparencia. Sempre aconselhava ela a não comentar essa tolices comigo. Isso me irritava. Mas resolvi tentar explicar com dois exemplos que não pareceram ilustrar nada para Alba.

1. Eu tinha uma amiga chamada Tina. Ela era uma vaca viciada que nunca me dava ouvidos, sempre se metia em encrenca e eu tinha sempre que livrar a cara dela. Ela era uma filha da puta ingrata incrivelmente beneficiada por deus de toda a perfeição. Ela era insuportavelmente linda e não merecia isso. Acho que só aguentei o tempo que aguentei porque ela tinha uma beleza viciante. Gostava de olhar pra ela e de ouvir ela falar besteiras infantis.

2. Quando o conheci BD pintava muros. Magro, ou melhor dizendo cadavérico, sua magreza era tanta que me fazia acreditar que ele não era desse mundo. Sua pele era transparente e como era uma pessoa ativa ficava vermelho facilmente. Ele parecia uma obra de OP ART o que já conferia uma certa beleza exótica. Mas eu só fui achar ele realmente bonito quando o encontrei de terno. Havia se tornado professor. BD pintador de muros, OP ART, sempre com cara de menino e cadavérico era agora professor de universidade. Ninguém podia imaginar o que NÃO se escondia embaixo do seu terno folgado. As vezes quando escrevia no quadro deixava a mostra o pulso que quase não tinha. Eu saber o que ele queria esconder era engraçado. Continuava o meu desengonçado de sempre apesar dos esforços. A fraqueza por detrás daquele posto de poder era extremamente bela.

Não. Não posso definir um padrão de beleza. Ela vem de brinde nas atitudes mais inusitadas. A beleza é uma construção. Um quebra-cabeça que adoro montar.

Um dia conto como já fui quebra-cabeça de uma pessoa…

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Carta à minha avó Carmelita

Hoje o céu está em festa mas essa família amanhece incompleta. Seus filhos e netos que são pedacinhos de vc amanheceram aos farelos. Ontem no seu enterro a tarde estava linda. Foi um enterro de Rainha. Pra nós vc sempre foi isso. Uma rainha. A grande matriarca que unia a todos nós. E unia mesmo. Nossa dor era a dor de todos. A dor pessoal e a dor de ver o ente querido sofrer. Por isso cada vez que um chegava a dor aumentava. Como meu primo falou todos estávamos ali subjugados a você e agora ficamos sem rumo. Tudo era ao seu redor.

Quando falava para as pessoas que vc estava na UTI todas se espantavam mas pareciam aliviadas ao saber suas idades. 92 anos. Ficavam querendo confortar porque com essa idade parecia lógico que você estivesse nessa situação. Mas quem te conheceu sabe que não é assim. Você era a pessoa mais viva e alegre desta família. Morava só, tinha dificuldades de andar mas muita energia!!! A gente comentava “vamos fazer porque a gente pode não ter ela daqui a um tempo”, mas no fundo de nossos corações vc ia durar pra sempre. A gente sempre comentava “Lelita ainda vai enterrar muita gente” ou “ela é uma rocha”. Você tinha muita vontade de viver, estava até planejando viajar para Aracaju de avião, eu já tinha até visto preço de passagem. Só seu corpo tinha 92 anos, vc era minha criança que gostava de chocolate e sorvete.
Sem falar em como vc era engraçada né vó… Minha mãe e meu tia Aragão palhaços tiveram a quem puxar. Campeã de arremesso de andador quando tentavam pegar suas mangas!!! Era engraçado quando meu tio ficava cantando pra vc NÃO dormir e vc ficava irritada de ser acordada. A imagem que tenho da senhora é você pequinininha sentadinha naquela cadeira de plástico balançando as perninhas como uma criança. O gosto que eu tenho na bota é de ensopado de frango, doce de leite e doce de banana que aos domingos que eu ia te visitar vc fazia especialmente pra mim.
Para mim no hospital olhando minha família, eu me perguntava: o que vai ser da gente agora? O que vai ser de mim? Minha mãe achava errado eu supervalorizar e me vangloriar da “moral” que eu tinha com a senhora, mas eu nunca era a preferida de ninguém. Você tinha me criado junto com Junior, comendo pirão de ovo em cima da mesa (o máximo da anarquia infantil para mim) e me dava 1 copo de café preto no café da manhã. Nesses tempos parei para analisar o quanto eu sou de você. Com certeza esses meu caráter subversivo e teimoso vem de você.
O tipo de amor que a senhora me deu é insubstituível e inesquecível. Esse amor de vó misturado com amor de mãe e amiga. Um amor onde os julgamentos apareciam somente como preocupação. Um amor sem esperar nada em troca, sem cobranças. Era nele que eu ia buscar forças quando me sentia uma pessoa sozinha no mundo. Hoje, só não sou a pessoa mais sozinha do mundo porque sei que você deve estar cuidando da gente onde quer que você esteja, mas talvez algum dia lá na frente eu entre em pânico de novo com saudades de você.
Já disse as pessoas para deixarem eu sofrer até que essa sensação acabe. Essa dor tem que ser enorme já que a alegria que você nos dava não tinha tamanho. Mas não é inconformação não vó, porque Deus sabe o quanto eu pedi a ele que se fosse pra você vegetar, preferia que você fosse embora. Essa dor é só saudade. Não posso estar inconformada porqe vc viveu muito e, mais importante, viveu como quis. Independente, comendo o que não podia, rodeada de sua família que te amava e respeitava muito.

A senhora sabe que essas palavras são de uma neta que se fez presente. Que ia te visitar sempre que podia. Não como obrigação familiar, mas por prazer de receber esse carinho. Talvez pudesse ter feito mais, talvez você esperasse mais de mim. Fico sem sabe… Mas no geral acho que fui uma boa neta. Essa situação com certeza educou minha geração a serem filhos melhores, por isso não se preocupe com os seus. Cuidaremos deles…

Seu legado é enorme e tenho MUITO, muito orgulho mesmo de fazer parte dele.Fica aqui a eterna saudade de sua neta, que não te perdeu ontem, mas te perderá por muitos dias ainda.

Sandrinha (seu bichinho).

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Pedido de desculpas

Você me pediu que não o fizesse e eu o fiz. Eu precisava. Eu tinha que provar para mim mesma que era capaz. Ou melhor, eu tinha que mostrar para os outros que eu podia fazer. Achava que estava fazendo um bem para mim ,mesmo que isto de certa forma te desagradasse. Aproveitei sua ausência e fiz. Na hora pareceu o mais correto. Agora me arrependo de ter percebido tão tarde que o que mais me agrada nesse mundo é agradar você. Cada gesto meu que te deixa triste perde o sentido e ganha um gosto amargo.

Sei que quando estiver com carta em mãos não entenderá o motivo de minha aflição com tão pouco caso, mas o fato é que devido as atuais circunstancias de minha vida desagradar você é como ser ingrata com tudo de bom que me resta nessa vida. Provavelmente quando nos encontrarmos você vai me abraçar e dizer que me ama apesar de tudo e que não são essas besteiras que vão nos separar. E justamente por causa de atitudes como essa é que eu acho completamente injustificável que eu não faça tudo que está ao meu alcance para te fazer feliz.

Eu prometi que seria uma menina perdida pra sempre mas agora vejo que deixaria sem olhar pra trás esta terra do nunca para esta sempre com você. Nada neste baixo mundo pode ser mais maravilhoso que estar ao seu lado. Nenhum ar pode ser mais leve do que aquele que te envolve. E nenhuma pessoa a não ser você pode transformar essa pesada atmosfera que chamam de vida em algo prazeroso.

Ah! Como essa cidade alegremente doentia perde até o último resquício do brilho irracional que a deixa com esse ar lírico, doce e patético que tanto desprezo. Essa cidade existe demais quando vc não está. Sua presença inibi todo este horroroso cenário que merece ser coberto por teus encantos, sorrisos e consolos a este pobre coração amargurado. Mas até a saudade se é de você é mais doce do que os doces que já não conhece a minha boca. A comida não tem mais sabor. A bebida não embriaga mais. Os perfumes fedem.

Volte logo. Volte antes que eu enlouqueça. Volte para que tudo de bom volte com você. Traga seu perdão e o melhor de mim.

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Querido Baudelaire,

Querido sim. Apesar de machista, querido. Apesar de achar que a mulher é puramente um vaso esperando as flores para ser completa, querido. Apesar de achar que sem roupas e maquiagem pouco sobra da beleza feminina, você é meu querido.

Vale ressaltar meu caro amigo (amigo sim, pq não? Vários amigos meus me acham burra e nem por isso deixam de ser meus amigos. As vezes são espertos o suficientes para admitir que minha presença da mais brilho as suas vidas insignificantes de acadêmicos baratos) que no princípio te odiei. Parei de escrever quando comecei a te ler, em crise por achar que palavras mais certeiras e mais minhas não poderiam existir.

Comecei a buscar os seus livros como referência lúdica para meu trabalho. Sempre mantive relações de amor e ódio com o século XIX e suas palavras ao invés de me darem o conforto da distração só me deram mais tensão. O meu trabalho é um lugar conflitivo. Estou rodeada desta época que as pessoas creditam mais beleza as mulheres, e menos liberdade, inteligência e responsabilidade. Mesmo que tente me render aos generalismos da metodologia histórica não consigo parar de pensar naquela mulher francesa pintada por Constantine Guys ou em Marie de Gritos e sussurros de Bergman. Rodeada destes trajes, e depois de tanto ler a história através das roupas vejo que realmente só (e somente) a história generalizante pode ser contada através das roupas. As roupas, que não passam nada mais que um produto de consumo, logo…A história das roupas é a história da economia e esbarramos mais uma vez em superestrutura. Uns poderiam dizer que até mesmo nossos sentimentos são condicionados pela economia e sem estar aqui para pensar nisso fecho os olhos para ver as coisas de outra maneira. Uma maneira mais sentida, mais poética . Nunca sob hipótese alguma falaria essas asneiras sinceras no meu trabalho, mas falo aqui para mais além da ciência. Aprendo mais em Bergman e em Baudelaire do que em livros de história.

O fato é que não consigo tirar da cabeça a idéia de que o que foi conteúdo destas roupas é muito parecido com o meu. Lá, me sinto exposta. A infância brincada mas sem esquecer que aquele ser será um adulto. A mocidade que tem por obrigação ser mulher de um dia para o outro, sem medo e sem vacilar. Depois… O espanto de ter conseguido tudo e de tudo não ser suficiente. A necessidade de beleza, de ser prendada e de homem. Quantas roupas de Maries de Bergman estão ali? Não escolhemos mais tecidos, escolhemos a melhor loja. Não abemos mais bordar, mas precisamos ter embasamento para criticar Bush (“quem faz guerra é do mal” não é mais suficiente). Não somos mais sustentadas pelos maridos, mas por toda história sustentamos eles.

O que eu estou dizendo? Muita coisa melhorou. Eu sei que sim, mas eu sinto que não. Porque no fim eu sou egoísta e só me importo com o futuro porque não quero estar próxima a elas. Não quero ser como elas. Não quero mais sentir isso. Quanto mais moderna me torno, quanto mais respondo as espectativas, mais para o século XIX me arrasto. Os medos são os mesmos, as lagrimas são as mesmas. O espartilho social afrouxou mas não desapareceu. XIX ou XXI: parece que o que muda é a posição do I.
Por isso querido gostaria de dizer que te leio para estar mais próxima de mim e ter total consciência da minha prisão. Conhecendo ela por inteiro, cada barra, cada espelho de fechadura, cada algema, sabendo todo seu sistema de segurança talvez eu pare com a idéia estúpida de fugir.

Boa noite, querido.
Tenho uma exposição de sucesso para montar.

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Caneta ou lápis?

Um dia durante a aula de química pedi emprestado uma caneta a uma colega.Ela não tinha, então, emprestou-me um lápis.Poderia ser uma atitude normal, mas para uma pessoa como eu seria o inicio de uma grande tortura.

Pergunto-me: Porque a maioria das pessoas faz as tarefas de matemática de lápis?Qualquer pessoa normal diria que é para apagar em caso de erro e qualquer pessoa normal concordaria com isso.Mas, mais uma vez eu me pergunto: E porque não escrever de caneta?Se errar é só escrever o certo ao lado.Porque apagar seu raciocínio?Tudo bem que do ponto de vista chamado lógico ele estava errado, mas durante algum momento, mesmo que tenha sido pouco tempo, ele fez sentido pra você.Eraseu!Você o jogou fora, só porque era um erro!Só para a tarefa ficar mais bonitinha você pega a borracha e sem dó DESTRÓI o seu pensamento.As pessoas te dizem que o novo substitui o velho, mas não é verdade.Se fosse assim o professor de historia não valeria de nada e todos os museus seriam fechados.As pessoas não fariam mais coleções e toda vez que uma mulher tivesse um filho ela morreria.

O rascunho de nossas redações quase sempre é feito a lápis.Nos sentimos mais livres para errar.Mas na vida não é assim.Ela nãopode ser escrita a lápis, não tem rascunho e não se pode usar a borracha.Por isso muitas vezes deixamos de escrever com medo de errar já que quando usamos a caneta somos mais cautelosos.Claro que a depender da vida que você leva, sua redação poderá ficar melhor ou pior que as outras.Com mais ou menos rasuras.E é claro!você vai querer comparar e ai inconscientemente vai ser mais cauteloso ainda!

Quando escrevemos de caneta, se não há rascunho, terminamos na maioria das vezes por não escrever aquilo que realmente pensamos, e sim, o que achamos que os outros querem ler.Porque vale nota!Você não vai querer tirar uma nota mais baixa do que os outros vai?Seu ego dita o que você escreve e seu coração inibido se cala.

Posso dizer que neste momento da minha vida, abstraindo, não estou sendo cautelosa ao escrever, já que tenho em minhas mãos uma folha (vida) implorando por cor e conceitos.Escrevo desesperadamente.Minha letra muda constantemente.Freneticamente ou calmamente.Às vezes acho que escrevo com aquelas canetinhas FABER CASTELL que a tinta desaparece com o tempo.Sempre voltando para o começo da longa jornada.

Deixo meu coração ditar.Às vezes ele me ajuda muito, mas, de vez em quando, tenho que colocar uma virgula ou reticências porque o medo não me deixa continuar e me tenta para um ponto final.

Não posso apagar o que houve entre nós, pois já esta escrito..Mas ainda existe bastante espaço em branco no meu papel que implora por uma nova versão.

Minha redação pode não ser a mais bonita, mas com certeza é mais minha…

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Estar só

Estar só não eh apenas estar consigo mesma…Para mim eh compartilhar o meu mundo imaginário com as paredes do meu quarto.é ver meus pensamentos rodopiando pelo teto tentando fugir da gravidade da minha situação e da gravidade da terra.

O engraçado eh que passo o dia inteiro me queixando de concentração e eh agora, quando o sono que vem para encobrir todos os pensamentos, que eu mais me concentro na vida que estar por viver lá fora.

Lá fora…
. . .

Fora mesmo…Fora do meu alcance.

Prometi que ia entrar no mundo de fora nesse ano de 2005.Mas eh tão difícil…Não que o mundo aqui dentro (não estou falando do meu mundo das ideias) seja dos melhores mas…

Essas paredes jah me são tão familiares.SIM!Familiares.Elas são minha família pois me acolheram como os meus parentes deveriam fazer…Elas não são minhas vítimas nem se aborrecem com o meu não-aborrecimento.Elas não são brancas e mas perfeitas nas confusões de cores.Elas não me abandonaram nunca.Ateh nos tempos em que eu planejava horrores elas me acolhiam e protegiam o projeto dantesco!

Abandonoda eu?Não.Apenas me sinto um daqueles livros grossos e pesados que ninguém quer mais ler.Aqueles fascinantes mas que fica chato do meio para o fim.O mal eh esse.Poucas pessoas chegaram ao fim pq eh mais fácil abandonar.Esperar não.Até eu mesma jah me abandonei.É tempo de ter inimigos porque existe tempo pra tudo nessa vida, principalmente para ser odiada e odiar com força.

Me acostumei a não chamar atenção assim como me acostumei a chamar atenção demais pelas coisas erradas.Atenção?Será que eh isso que eu procuro.Pode ser…Mas uma atenção limitada, contida e não obscena.De obscenidade jah basta o que eu vejo daqui de dentro mesmo…

Parar de fazer coisas erradas?O que eh isso?Eu sou humana!Eu erro e insisto no erro e soh pra preparar vcs eu vou errar quantas vezes for preciso para mostrar que meu erro soh eh erro pq incomada vcs!!!

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Literatura não é autobiografia querido elefante

Você me faz lembrar aqueles domingos chuvosos em que eu, a tola, amarga e triste cantarolava: “My heart and I Have decided to end it all”…E você dizia que se continuasse desse jeito ia ficar pra titia.a gente discutia durante horas que tipo de tia eu iria ser.No fundo eu sempre desconfiei que você fazia projeções de que tipo de mãe eu seria para seu filho.você é muito previsível.As pessoas que falam pouco são assim…Revelam-se de mais em poucas palavras.No fim seu silencio não passava de uma autoproteção inútil que eu demolia com facilidade.Ela só servia para proteger sua consciência que achava que você estava fazendo algo para impedir você de…De mim!

Não sorria com o canto da boca!Você sabe o quanto isso me irrita!

Você tem um sorriso tão bonito.Se tem vontade de rir, ria!Pra que você gastou sua vida toda comprando sensodyne?No mundo de hoje não ser desdentado é privilégio de poucos!Você devia sorrir mais.Mas eu sempre esqueço que você tem medo de viver intensamente. É uma pena porque quando chegarmos aos quarenta e nos esbarrarmos no metro de paris em uma segunda-feira chuvosa você vai estar lendo a parte financeira do jornal acentuando a paisagem cinza na cidade das luzes e eu provavelmente vou estar no celular contando as ultimas novidades do fim de semana aos meus amigos, coisa que dificilmente você vai ter.

Só queria dizer que assumo que a culpa não foi da sua defensiva e sim da minha invasão.Eu invadi seu território e me apropriei indevidamente.Mas se eu ganhei a causa do uso capião foi por desleixe seu e dou graças a deus a isso.Agora estamos aqui depois de tanto tempo e eu queria te contar como foi depois mas te digo que pouca coisa mudou.Ainda continuo cantarolando “My heart and I Have decided to end it all” aos domingos porem agora com uma diferença…Troquei Billie Holiday por Bjork.Espantado?Era de se esperar…Você não é muito de mudanças.Um retrogrado!O senhor das verdades imutáveis!Mas no fim você é uma ótima pessoa em potencial.Talvez se você desse um pouco mais de você pra o mundo.Acho que no seu aniversário vou fazer uma versão seresta de You’re No Rock N’ Roll Fun e cantar pra você lá no mercado do peixe!

Eu não entendia porque parecia que você fazia questão de manter uma certa distancia de mim.Pelo menos era isso que passava na minha cabeça.Até que eu descobri o quanto curto de criatividade você é.Mas aí tudo mudou naquela noite triste em que eu não cantarolei mais nada…Porque contar a tristeza só tem graça quando ela não esta por perto.Lá no aeroporto eu notei o quanto você é fantástico nas coisas simples e te disse coisas que já deveriam ter sido ditas a mais tempo, coisas bonitas e verdadeiras.Mas eu falei na hora errada e você chorou.Eu nunca te vi daquele jeito.Foi aí que você disse claramente o que achava de mim. Você tinha me coroado rainha de um reino distante, mágico e inalcançável…Só meu.Não havia muito espaço lá, mas você fez questão de me dar conforto apesar da pouca luminosidade.Mas ser sua rainha era difícil porque a coroa era pesada e os súditos politicamente ativos.Os ministérios nunca se entendiam.Foi aí que aconteceu o impeachment!

Provavelmente você vai ler este texto e comentar: “Como é que você fala de Billie Holiday, Bjork e Sleater-kinney no mesmo texto? Ainda mais um texto que fala sobre mim!”.E agora que eu já falei isso vai me irritar dizendo: “Sem comentários!”.Mas eu queria que você tivesse dito pra mim o que você falava pra todo mundo:

“Ela é louca mas há algo de belo e magnífico nisso”.


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