Almandrade, singularidade no cenário artístico baiano
Horror Vacui do universo consumista infantil
Deu muito o que falar em 2005 e eu não sei porque. Não achei o máximo não. A artista coreano Jeong Mee Yoon faz um Balaio VOGUE kids pink & blue que aponta muito superficialmente questões de consumo e genero. No Território Vasto: Cildo Meireles e Convidados
Con.Tatos – Adalberto Alves, Liane Heckert e Nicolas Soares.
O setor educativo do MAM-Bahia vem promovendo diversos encontros (verdadeiros acontecimentos) entre artistas e seu público. Terça-feira pela primeira vez participei de um deles.: Adalberto Alves, Liane Heckert e Nicolas Soares falaram um pouco de suas carreiras e de seus trabalhos apresentados no 15º Salão. Uma iniciativa louvável tendo em vista a áurea de incompreensível e hermética que assombra a obra de arte moderna.
Adalberto Alves eu conheci através da Exposição RAID na Caixa Cultural. Ele trás de volta do desenho (se é que a técnica foi algum dia para poder ter voltado) rabiscado que decalca na parede com papel carbono fazendo uma arte que fica impregnada nas paredes da galeria e que está fadada a morrer no final da exibição. A impressão que me da os trabalhos dele é que um menino andou rabiscando a ultima página do caderno e insatisfeito com o pequeno espaço acabou extrapolando o suporte. Suas formas brincam com os corpo humanos. O que somos nós se não malabaristas nesse mundo desequilibrado? Estamos sempre a ponto de cair no poço da insanidade.
A dupla Liane Heckert e Nicolas Soares foram os responsáveis pela instalação “Insustentável” que articula um banco de vidro e uma fotografia fugaz de um casal. A obra é um convite a reflexão sobre relacionamentos, sobre a fragilidade das relações e brinca com a estética cinematográfica, com o vouyerismo. Não conhecia o trabalho dos dois e achei bastante interessante o que foi apresentado. É muito bom ver gente nova fazendo arte com substância. Os trabalhos e seus manking off podem ser visto no blog da dupla.
Levava comigo meus pupilos (e de Rene) do projeto “Museu e Escola: Parceiros no processo de preservação da memória”. Eles se divertiram muito especulando sobre a as obras e as vezes interagindo com elas, o que mostra mais ainda que a arte contemporânea não é esse bicho de sete cabeças. Assistiram atentos as apresentações dos artistas, ficaram meio tímidos para participar do debate, mas no final bateram um papo com exclusivo com Adalberto Alves. A visita foi facilitada pela instituição que alem de disponibilizar uma van para levar e trazer os alunos desenvolveu uma atividade lúdica na escola um dia antes da visita.
Os artistas falaram um pouco das mensagens que tentaram passar, mas sempre deixando claro que a comunicação é aberta e que a obra se completa no público. Para mim é justamente isso que torna a arte contemporânea tão intrigante e tão “nossa”, tão “do nosso tempo”. Vivemos tempos de incerteza onde tudo está fadado ao fim. Fala-se em fim da história, fim das barreiras geográficas, fim da arte, fim dos tempos. O mundo está pouco conclusivo para abrigar uma arte conclusiva.
Na sua história a arte o tempo todo parece ter oscilado entre o clássico e o romântico, entre o racional e o irracional, entre razão e emoção, divididos em ciclos definidos. Há quem defenda que chegamos a um ponto em que a arte apresenta um certo hibridismo que não permite que esse ciclo se feche com clareza. No contexto do Décimo Quinto Salão eu fico com o romântico. A arte contemporânea quase sempre me deixa escolher.
Agradecimentos ao Sertor Educativo do MAM.
Post Secret
É próprio do ser humano guardar segredos e mais ainda querer saber o segredo do outro. Todo mundo tem aquele segredo que guarda somente para sí ou para poucas pessoas. Pode ser um fato engraçado, muito triste, criminoso, um desejo e até aquela mania que parece bobagem, mas é um pouco embaraçosa. Perpassando por essas ruelas do ser humano é que o artista Frank Warren desenvolve o projeto de mail art Post Secret.
O artista recebe postais em que pessoas de forma anônima revelam seus segredos mais íntimos. Todo domindo ele escolhe alguns e coloca no blog no projeto. O Post Secret iniciou em 2007 com apenas 10 postais feitos por artistas. Logo o proprio formato de blog do projeto suscitou muitos comentários e conseqüentemente a criação do fórum postsecretcommunity abrindo espaço para as outras pessoas colocarem seus segredos também. O resultado é uma viagem interessante pelo submundo secreto do indivíduo contemporâneo e muitas horas gastas na frente do PC as vezes dando risada, outras se espantando ou se emocionando com as confissões alheias.
Ps.: Obrigada a Ju Casal pela dica!
Prado High Quality – Melhor? Só ao vivo!
Você pode ver a delicadeza das texturas, a poética do craquelê, as marcas da ação do tempo. Alcança um angulo de visão que nem ao vivo no museu você teria. A possibilidade de aproximação é incrível. Fiquei estarrecida ao constatar que não percebi as lágrimas nos olhos dos personagens de minha tela preferida: “descida da cruz” de Roger Van der Weyden. Da até pra ver um alfinete na cabeça da freira.
Um fator importante de se destacar é que você está livre da “fatiga museal”, aquele cansaço que nos abate depois de tanto tempo de pé em um museu ou galeria. Lembro que passei o dia inteiro no Prado e quando cheguei no Jardim das Delícias já nem tinha animo pra me atentar as pequenas representações grotescas que anteciparam o surrealismo. Ontem pude m dar o luxo de passear pelos mínimos detalhes do famoso tríptico.
As imagens não vão substituir a ida ao museu tradicional, já que ainda temos muito de “valor de culto” (ainda bem!), mas é outra ferramenta a ser utilizada e espero que outros museus sigam o exemplo. Passou da hora dos museus perderem esse medo do “valor de exibição”. O tempo passou e ensinou que uma coisa não anula outra. A tecnologia nos abre novas possibilidades de percepção, indo além do olho, além do espaço real. Vamos deixar que as inovações tecnológicas somem e dialoguem com o passado traduzindo e, portanto, aproximando a arte das pessoas.
Artemis by Rembrandt
Self Portrait by Albrecht Durer
The 3rd of May 1808 in Madrid by Francisco Goya
The Nobleman with his Hand on his Chest by El Greco
The Cardinal by Raphael
Descent from the Cross by Roger van der Weyden
Emperor Carlos V on Horseback by Titian
The Garden of Earthly Delights by Hieronymus Bosch
Jacob’s Dream by José de Ribera
Inmaculada Concepción by Giambattista Tiepolo
The Annunciation by Fra Angelico
Crucifixion by Juan de Flandes
The Family of Felipe IV, or Las Meninas by Diego Velázquez
The Three Graces by Peter Paul Rubens
Segue vídeo com o Making off…
Moleskine Art
Você deve estar se perguntando o que é um Moleskine? Moleskine é uma famosa marca italiana de caderno de notas. Mas não é qualquer caderno de notas… Um professor de estética já havia comentado sobre eles e eu nem dei bola. Ele tinha um Moleskine e sempre falava dele com uma colega e eu ficava: “o que esses dois veem tanto nessa caderneta? Só porque o papel é de qualidade e ela abre 180º? Grandes coisas!”.
Um belo dia numa das minhas ciberandanças pelo youtube me deparei com a arte feita em Moleskines. Aí entendi que o angulo de 180º é ótimo para realizar desenhos e conheci os usuários ilustres que deixaram seus pensamentos e sua arte registradas nesses caderninhos e deram uma aura especial a marca. Seus usuários mais famosos foram Vincent Van Gogh , Henri Matisse , Pablo Picasso, André Breton, Louis Férdinand Céline, Neil Gaiman, Jean Paul Sartre e Ernest Hemingway. Por conta disso o Moleskine não poderia deixar de ser referenciado no cinema em filmes como Le fabuleux destin d’amélie poulain, Indiana Jones and the Last Crusade, The Da Vinci Code, Magnólia e The Talented Mr. Ripley.
Até hoje o Moleskine é feito a mão, mas não mais na Itália. Mãos chinesas trabalham para a Moleskine, a modernidade chegou de alguma forma… Em 2007 a Moleskine vendeu 10 milhões de unidades. Mas para fazer anotações com estilo é preciso pagar um preço um pouco alto. Um Moleskine tradicional no Brasil custa entre 80 e 150 reais.
Interessante o desdobramento que um simples caderno de anotações podem ter. O Moleskine implacou como suporte de arte. Existem até versões com papéis especiais para aquarela. A arte em Moleskines pode ir tanto rabiscos de ultima página de caderno até obras de arte antiga. Os trabalhos mostram que não há limites para a imaginação.
No ano de 2006 iniciou a exposição itinerante “Detour“, em Londres, exibindo 70 Moleskines de artistas, arquitetos, escritores, ilustradores e designers. Em 2007 a amostra foi para Nova York, em 2008 Paris e Berlin. Este ano pretende passar por Istambul e Tokyo. No site do projeto você encontra um arquivo de vídeos e na internet também pode-se ver vários filminhos interessantes. Eu separei meus preferidos. Divirtam-se, e se gostarem procurem mais no youtube!








